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Menos casais com filhos, mais tipos de moradia: o que muda para quem compra imóvel em leilão

19 de agosto de 20265 min de leitura

Menos casais com filhos, mais tipos de moradia: o que muda para quem compra imóvel em leilão

O Censo 2022 confirmou algo que já era percebido nas grandes cidades: casais com filhos deixaram de ser o modelo predominante de família no Brasil. Pessoas morando sozinhas, famílias monoparentais, casais sem filhos e arranjos compartilhados ganharam espaço, e isso já pressiona o mercado imobiliário a repensar o que constrói e o que vende.

Para quem acompanha leilões de imóveis, essa mudança não é só um dado estatístico distante. Ela influencia diretamente que tipo de imóvel tem mais saída, qual metragem faz sentido comprar e até que ponto vale insistir num imóvel projetado para um perfil de família que hoje é minoria.

Imóveis compactos ganham relevância na decisão de compra

Com menos famílias grandes, cresce a procura por unidades menores: apartamentos de um ou dois dormitórios, studios e imóveis com plantas flexíveis. Isso vale tanto para compra direta quanto para arrematação em leilão, onde o objetivo pode ser morar ou revender depois.

Um imóvel de quatro quartos em bairro residencial tradicional pode ter liquidez menor do que há alguns anos, simplesmente porque o público que buscava esse formato encolheu proporcionalmente. Isso não significa que esses imóveis perderam valor, mas que o prazo para vender ou alugar pode ser mais longo.

Antes de mirar um lance, vale pesquisar o perfil de quem mora na região e comparar com o tamanho do imóvel anunciado. Um edital que descreve um apartamento amplo em bairro com forte presença de moradores solteiros ou de casais sem filhos pede uma reflexão sobre a demanda real daquele produto.

Como funciona o rito do leilão que você está avaliando

A maioria dos imóveis judiciais é oferecida em duas praças. Na primeira, o lance mínimo costuma ser o valor de avaliação; se não há arrematante, a segunda praça permite lances mais baixos, respeitando o piso definido no edital, geralmente em torno de 50% da avaliação.

Já em leilões extrajudiciais, ligados à alienação fiduciária, o rito é definido pela lei 9.514/97 e também prevê duas datas de leilão, com condições específicas para o primeiro e o segundo. Cada modalidade tem regras próprias sobre quem responde por dívidas anteriores e sobre o direito de o antigo proprietário reaver o imóvel.

O edital é o documento que manda: nele estão o tipo de leilão, o valor mínimo aceito, a forma de pagamento e as condições de entrega do bem. Ler o edital linha por linha, antes de pensar em valor, evita boa parte dos problemas relatados por quem se arrepende de um lance.

Matrícula, ocupação e dívidas: o que verificar antes de lançar

A matrícula atualizada do imóvel mostra se existem outras penhoras, hipotecas ou restrições além daquela que originou o leilão. Sem essa checagem, é possível arrematar um bem com pendências que não desaparecem automaticamente com a compra.

Saber se o imóvel está ocupado é outro ponto central, especialmente diante da mudança no perfil das famílias: um imóvel pequeno ocupado por um único morador tende a ter uma negociação de desocupação diferente de uma casa grande ocupada por vários núcleos familiares dividindo o espaço, situação que também tem crescido.

Dívidas de condomínio e IPTU acompanham o imóvel na maioria dos casos, mesmo quando o edital promete leilão "livre de ônus". Vale confirmar diretamente com o condomínio e a prefeitura, e não apenas confiar no texto do anúncio, para não começar a posse já com um passivo herdado.

Custos que aparecem depois do lance vencedor

O valor arrematado não é o total do investimento. Some a comissão do leiloeiro, geralmente entre 5% do valor pago, o ITBI municipal e as despesas de escritura e registro em cartório.

Se o imóvel estiver ocupado, pode ser necessário arcar com o processo de desocupação, que envolve tempo e, em alguns casos, custos jurídicos adicionais até a imissão na posse. Esse é um ponto que pesa mais em imóveis maiores, historicamente voltados a famílias com filhos, onde a saída de todos os moradores tende a ser mais complexa do que em uma unidade pequena ocupada por uma só pessoa.

Quem já mapeia esses custos antes de dar o lance evita surpresas que transformam um preço aparentemente baixo em um negócio caro no fechamento de contas. Para comparar opções em diferentes faixas de preço e metragem, é possível consultar os imóveis em leilão disponíveis e cruzar o perfil de cada um com a demanda da região.

Planejamento urbano também influencia o valor futuro do imóvel

A transformação no perfil das famílias já aparece nas discussões sobre planos diretores e zoneamento em várias cidades, que passam a permitir unidades menores, uso misto e adensamento em áreas antes reservadas a casas unifamiliares. Isso afeta diretamente o potencial de valorização de um imóvel arrematado hoje.

Um terreno ou imóvel situado em zona que está sendo revista para permitir mais unidades compactas pode ganhar liquidez nos próximos anos, enquanto áreas que mantêm regras rígidas para grandes lotes residenciais podem enfrentar demanda mais restrita.

Antes de arrematar, vale pesquisar se o município já discute mudanças no plano diretor para a região do imóvel. Essa informação, disponível em prefeituras e câmaras municipais, ajuda a entender se o formato daquele imóvel está alinhado com o caminho que a cidade está tomando.


Fonte: Tribuna Independente, 23/07/2026 — Mudanças no perfil das famílias impulsiona novos formatos de moradia e desafiam o planejamento das cidades, afirma especialista

Este texto é uma produção original da Drai Leilões a partir da notícia acima. Confira sempre o edital oficial do leilão antes de dar um lance.

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