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Divórcio após os 50 anos: por que mais imóveis com financiamento acabam em leilão
19 de agosto de 20265 min de leitura
O número de divórcios entre brasileiros com mais de 50 anos vem crescendo, e junto com essa mudança demográfica aparece um efeito colateral pouco discutido: imóveis financiados em nome de casais que se separam frequentemente acabam disputados, renegociados ou, em casos de inadimplência, levados a leilão. Entender essa engrenagem ajuda quem pensa em arrematar um imóvel a evitar surpresas na matrícula.
Divórcio tardio muda o destino de imóveis financiados
Quando um casal se separa depois de décadas de casamento, é comum que o imóvel da família seja o bem mais valioso — e também o mais difícil de dividir. Em muitos casos o financiamento ainda está em andamento, e nenhum dos dois consegue sozinho manter as parcelas ou assumir a dívida integral.
Essa dificuldade financeira, somada ao desgaste emocional da separação, é um dos caminhos que leva imóveis a acumular atraso no pagamento. Quando o financiamento é feito por alienação fiduciária, o atraso persistente abre caminho para o banco retomar o bem e vendê-lo em leilão extrajudicial, sem precisar passar pela Justiça.
Por que a matrícula pode esconder um ex-cônjuge com direito à meação
Antes de dar qualquer lance, é essencial pedir a matrícula atualizada do imóvel no cartório de registro de imóveis. Ali aparece se o bem foi adquirido durante um casamento, se há registro de separação ou divórcio e se existe alguma pendência de partilha não resolvida.
Se a separação ocorreu mas a partilha de bens nunca foi formalizada judicialmente, pode haver um ex-cônjuge com direito à meação do imóvel — mesmo que ele não more mais ali. Isso não impede necessariamente o leilão, mas pode gerar disputa jurídica depois da arrematação, com risco de o arremate ser questionado.
Outro ponto de atenção é verificar se existe averbação de penhora por dívida de pensão alimentícia ou partilha, situação que também pode aparecer em processos de separação litigiosa. Quanto mais detalhada a leitura da matrícula, menor a chance de comprar um problema junto com o imóvel.
Primeira e segunda praça: o que muda no valor e no risco
No leilão de imóvel dado em garantia de financiamento, a venda costuma ocorrer em duas etapas. Na primeira praça, o lance mínimo é próximo do valor de avaliação do bem; se não houver arrematante, o imóvel vai para a segunda praça, com valor mínimo reduzido, mas ainda respeitando o piso da dívida existente.
Quanto mais avançada a etapa, maior a chance de o preço estar mais atrativo — mas também maior a chance de o imóvel ter ficado tempo suficiente vago ou ocupado de forma irregular, o que aumenta os riscos de manutenção e desocupação. Vale conferir no edital em qual praça o imóvel está sendo oferecido e qual o histórico de tentativas anteriores.
Custos que aparecem depois do lance vencedor
O valor arrematado nunca é o custo final. Além do lance, o comprador paga comissão do leiloeiro — normalmente um percentual sobre o valor do arremate —, ITBI cobrado pelo município e taxas de escritura e registro em cartório.
Se o imóvel ainda estiver ocupado pelo ex-casal ou por terceiros, pode ser necessário entrar com ação de imissão de posse para retomar o bem, processo que consome tempo e, em alguns casos, recursos com advogado. Esse é um ponto que merece atenção redobrada em imóveis vindos de situações de separação conturbada, quando a saída amigável é menos provável.
Quem pretende buscar esse tipo de oportunidade em diferentes regiões do país pode comparar opções nos imóveis em leilão disponíveis na plataforma, verificando editais, fotos e a situação de ocupação de cada anúncio antes de decidir.
Financiamento do imóvel arrematado: o que verificar antes de assinar
Para quem pretende financiar a compra do imóvel arrematado, é importante lembrar que bancos costumam exigir a matrícula limpa e o processo de leilão já concluído, com carta de arrematação emitida, antes de liberar o crédito. Isso significa que parte do pagamento inicial — sinal e lance mínimo — geralmente precisa ser feita com recursos próprios.
Vale também confirmar se há débitos de condomínio e IPTU em aberto vinculados ao imóvel, já que em muitos editais essas dívidas são de responsabilidade do arrematante, mesmo que tenham se acumulado durante o período de separação e disputa entre os antigos proprietários. Ler o edital linha por linha, sem pressa, ainda é a ferramenta mais eficaz para não transformar uma oportunidade em dor de cabeça.
O aumento de divórcios tardios é um fenômeno social, mas seus efeitos práticos aparecem em cartórios, editais e leilões. Para quem pensa em arrematar, entender essa origem ajuda a fazer perguntas certas antes de assinar qualquer proposta.
Fonte: Estado de Minas, 27/07/2026 — causas, bens e financiamento imóvel
Este texto é uma produção original da Drai Leilões a partir da notícia acima. Confira sempre o edital oficial do leilão antes de dar um lance.
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